A audiência pública realizada em Esperantina para discutir a proposta de criação de uma Área de Proteção Ambiental (APA) no Bico do Papagaio reuniu prefeitos, vereadores, representantes de entidades e moradores da região. O encontro foi convocado pela prefeita Maria Antonia, que abriu os trabalhos defendendo a importância de ouvir a população antes de qualquer decisão que possa impactar o modo de vida de agricultores, pescadores e famílias que dependem diretamente das atividades produtivas.
Apesar da relevância do debate, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), responsável pela proposta, não compareceu. A ausência foi interpretada como um desrespeito às comunidades envolvidas, reforçando o clima de insatisfação presente durante toda a audiência. Lideranças políticas destacaram que não são contrárias à preservação ambiental, mas questionaram a forma como o projeto foi conduzido, sem diálogo prévio e sem a apresentação de estudos claros sobre seus efeitos práticos.
Nas falas de vereadores e produtores, predominou a preocupação com os possíveis entraves à produção agrícola e à pesca, atividades que sustentam milhares de famílias. O temor é de que novas restrições fragilizem ainda mais a economia da região, conhecida pela forte dependência de pequenos agricultores e trabalhadores rurais.
Representantes políticos também se manifestaram de maneira enfática. Parlamentares estaduais presentes no encontro afirmaram que levarão a posição da comunidade ao governo federal, defendendo que a preservação ambiental deve caminhar junto com o desenvolvimento humano e social. Para eles, impor limitações sem oferecer alternativas sustentáveis pode gerar insegurança jurídica e comprometer a sobrevivência de famílias inteiras.
Ao final, o encontro consolidou uma posição unânime: a rejeição à criação da APA da forma como foi proposta. Prefeitos, vereadores e entidades deixaram claro que continuarão mobilizados para impedir qualquer medida que traga mais dificuldades do que benefícios à população.