10 de ago. 2026 às 15:05
Um atendimento a vítimas de um acidente de trânsito terminou com agressões físicas, ameaças e uma tentativa de confronto com arma de fogo, segundo relato registrado pela Polícia Civil do Tocantins. O episódio ocorreu na noite de 9 de agosto, em uma estrada vicinal que dá acesso à Praia do Tição, na zona rural de Buriti do Tocantins.
Antônio Eldes, trabalhava como motorista de ambulância do município quando foi acionado para atender as vítimas do acidente. A médica Dra. Thessia de Freitas também foi ao local, em um veículo particular, para prestar atendimento médico.
Segundo o boletim de ocorrência, a médica avaliou as duas vítimas e identificou que uma delas apresentava um quadro mais grave. A orientação foi que essa pessoa fosse imediatamente transportada pela ambulância, enquanto a segunda vítima seria conduzida em outro veículo que também participava do atendimento.
Foi durante essa operação de socorro que, segundo o relato do motorista, começou o confronto com Ranildo Amorim, apontado como pai das vítimas do acidente. Ranildo é servidor público e atua como motorista da área da Educação.
De acordo com Antônio, Ranildo apresentava comportamento alterado e teria iniciado uma discussão durante o atendimento. O motorista afirmou que não presenciou o começo do desentendimento porque estava concentrado nos procedimentos necessários para retirar a vítima mais grave do local. Segundo relatado, Ranildo chegou a tentar agredir a médica.
Depois que a vítima foi colocada na ambulância, Antônio iniciou o deslocamento em direção ao hospital. A médica permaneceu no veículo realizando os procedimentos necessários para estabilizar o paciente.
Durante o trajeto, a médica pediu ao motorista que, quando o outro veículo que transportava a segunda vítima passasse pela ambulância, ele parasse para que ela pudesse trocar de veículo e continuar o atendimento.
Quando o automóvel se aproximou, Antônio sinalizou para que parasse. Foi então, segundo o relato, que Ranildo se aproximou de maneira exaltada, questionando o motivo da parada e afirmando que a ambulância deveria seguir mais rapidamente.
O motorista explicou que a médica pretendia entrar no outro veículo para atender a segunda vítima. Nesse momento, de acordo com o boletim, Ranildo fechou a porta da ambulância e desferiu um soco contra Antônio, atingindo a região do supercílio e provocando um corte.

Ainda segundo o relato, Ranildo passou a ofender o motorista com palavras de baixo calão. Antônio afirmou que reagiu para afastá-lo, dando início a um empurra-empurra. Pessoas que estavam no local intervieram para separar os dois.
A situação tomou outra dimensão quando, segundo o motorista, Ranildo correu em direção ao próprio veículo. As pessoas presentes teriam percebido que ele pretendia pegar uma arma de fogo que estaria dentro do automóvel.
Antônio relatou à Polícia Civil que Ranildo teria pegado a arma, apontado em sua direção e feito uma ameaça de morte. Pessoas que estavam no local conseguiram contê-lo antes que a situação avançasse. O motorista então se protegeu atrás de um veículo enquanto outras pessoas tentavam impedir que Ranildo prosseguisse.
Depois da contenção, Antônio voltou à ambulância e continuou o transporte da vítima até o hospital. Ranildo também se dirigiu à unidade de saúde e, segundo o relato, chegou alguns minutos depois.
No hospital, o motorista afirmou que houve uma segunda agressão. Segundo ele, Ranildo voltou a se aproximar e, depois que Antônio pediu que se afastasse, teria respondido de forma agressiva e desferido outro soco contra ele.
A Polícia Militar foi acionada e compareceu ao hospital. Antônio relatou aos policiais os episódios de agressão física, as ofensas, a ameaça com arma de fogo e a tentativa de agressão contra a médica.
Segundo o boletim, os policiais fizeram uma busca no veículo utilizado por Ranildo, mas não localizaram a arma. O motorista afirmou acreditar que não teria havido tempo suficiente para que o objeto fosse escondido em outro local, já que, segundo seu relato, Ranildo teria seguido diretamente para o hospital após o primeiro episódio.
Antônio também relatou a possibilidade de que a arma tenha sido entregue a outra pessoa que acompanhava Ranildo. Segundo ele, os demais ocupantes do veículo não teriam sido revistados.
O motorista afirmou ainda que, inicialmente, a Polícia Militar teria registrado no hospital um Termo Circunstanciado de Ocorrência relacionado apenas à lesão corporal leve. Ele declarou à Polícia Civil que não realizou exame de corpo de delito e que também não recebeu atendimento médico em razão das agressões.
A ocorrência foi registrada na 3ª Central de Atendimento da Polícia Civil de Araguatins em 10 de agosto. O documento aponta como naturezas da ocorrência os crimes de ameaça, desacato e lesão corporal dolosa.
O caso foi encaminhado para a 8ª Delegacia de Polícia de Buriti do Tocantins, que deverá apurar os fatos. O procedimento também prevê a verificação da existência e da intensidade das lesões por meio de exame pericial.
Após o episódio, a Secretaria Municipal de Saúde de Buriti do Tocantins divulgou uma nota de repúdio aos atos relatados durante o atendimento.
A secretaria afirmou repudiar de forma veemente episódios de violência, ameaça e agressão contra profissionais que estavam trabalhando no atendimento às vítimas. A manifestação citou que ambos desempenhavam suas funções no atendimento público.
Na nota, a secretaria afirmou que situações dessa natureza comprometem a segurança das equipes e podem colocar em risco a continuidade de um serviço considerado essencial. O órgão também declarou solidariedade aos profissionais envolvidos e informou que acompanha o caso e que as autoridades competentes estão sendo acionadas para a apuração e eventual responsabilização nas esferas cabíveis.
O episódio ocorre em uma estrada utilizada para acesso à Praia do Tição, além de servir à circulação de moradores e veículos na região. O confronto aconteceu enquanto uma equipe de saúde atendia pessoas envolvidas em um acidente, segundo o boletim.
Os profissionais envolvidos aguardam agora um posicionamento das autoridades sobre a apuração dos fatos e as providências que serão adotadas. A Polícia Civil deverá analisar os relatos apresentados, inclusive a alegação de ameaça com arma de fogo e as agressões físicas descritas pelo motorista.
NOTA DE REPÚDIO
A Secretaria Municipal de Saúde de Buriti do Tocantins
manifesta seu veemente repúdio aos atos de violência,
ameaça e agressão sofridos por profissionais de saúde
durante o exercício de suas funções, na noite do dia
09/08/2026, durante o atendimento a uma ocorrência de
acidente.
A equipe, incluindo a Dra. Thessia de Freitas Lima e o
motorista de ambulância Antônio Eldes Silva Rocha Melo
encontrava-se no cumprimento de seu dever de prestar
assistência à população quando ocorreu o lamentável
episódio.
Reforçamos que nenhum profissional de saúde deve ser
vítima de violência enquanto trabalha para salvar vidas.
A
agressão contra um profissional não atinge apenas o
indivíduo, mas compromete a segurança de toda a equipe e
coloca em risco a continuidade de um serviço essencial à
comunidade.
A Secretaria manifesta sua total solidariedade aos
profissionais envolvidos e informa que as providências
cabíveis já foram adotadas junto às autoridades
competentes, visando à devida apuração dos fatos e à
responsabilização cível e criminal do agressor.
Secretaria Municipal de Saúde de Buriti do Tocantins


