Famílias do MST ocupam área pública destinada reforma agrária em São Sebastião do Tocantins

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Famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocuparam, na madrugada desta terça-feira (14), uma área pública da União no município de São Sebastião do Tocantins, no extremo norte do estado. A ação ocorreu no Loteamento Praia Chata 1ª Parte (Lote 15P), com cerca de 986 hectares, e reúne integrantes do acampamento Irmã Dorothy.

De acordo com os trabalhadores, a ocupação tem como objetivo pressionar o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) a efetivar a criação de um assentamento já autorizado oficialmente. A área foi destinada à reforma agrária por meio da Portaria nº 1.684, publicada em março de 2026, mas, segundo os ocupantes, ainda não houve a implementação prática da medida.

O terreno está localizado em uma região estratégica do chamado Bico do Papagaio, entre os municípios de Araguaína, Augustinópolis, Sampaio e Buriti do Tocantins. Apesar da destinação formal para fins sociais, as famílias afirmam que o local permanecia sem uso e vulnerável à especulação imobiliária e à atuação de grandes proprietários rurais.

A mobilização ocorre durante a jornada nacional de lutas do MST, que neste mês relembra os 30 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás. Segundo os organizadores, a ocupação também tem caráter simbólico, ao denunciar a demora na execução de políticas públicas de reforma agrária.

Cerca de 38 famílias participam da ação e defendem a rápida inclusão no Programa Nacional de Reforma Agrária (PNRA), conforme previsto na própria portaria que reconhece a área como apta para assentamento de até 43 unidades familiares.

Os trabalhadores também criticam a lentidão administrativa do INCRA, afirmando que a demora pode favorecer conflitos fundiários e o avanço de interesses privados sobre terras públicas. Eles reivindicam a regularização imediata da área e a garantia de posse definitiva para as famílias assentadas.

Até o momento, não há informações sobre posicionamento oficial do INCRA ou de outros órgãos do governo federal sobre a ocupação.

A região do Bico do Papagaio é historicamente marcada por disputas agrárias, e o caso reacende o debate sobre a efetividade das políticas de reforma agrária e a destinação de terras públicas no país.

Daiane Silva

Daiane Silva

Olá, meu nome é Daiane Silva, tenho 23 anos e estudo Publicidade e Propaganda na Universidade Estácio de Sá, além de Jornalismo na Universidade Federal do Maranhão. Tenho uma paixão especial por narrar histórias de pessoas comuns, especialmente no jornalismo de profundidade, onde cada detalhe é meticulosamente explorado, sem deixar nada de fora. Valorizo a experiência de sentir, ouvir e reviver os eventos que reporto. No Diário de Augustinópolis, meu papel principal é trazer informações detalhadas e de alta qualidade. Estou à disposição para recebê-los aqui sempre que possível.