21 de ago. 2026 às 16:39
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, conversaram por telefone nesta sexta-feira (21), em uma ligação que durou cerca de uma hora e vinte minutos. Segundo o governo brasileiro, os dois tiveram uma conversa amistosa e concordaram que o caminho da negociação é a melhor saída para resolver os problemas entre Brasil e Estados Unidos.
O principal assunto foi a cobrança de novas tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros. Lula disse a Trump que as justificativas usadas pelos Estados Unidos para aplicar as tarifas são infundadas. Entre os pontos citados pelos norte-americanos estão questões como desmatamento, Pix, etanol, corrupção, propriedade intelectual e importações de produtos ligados a trabalho forçado.
Durante a conversa, Lula afirmou que as tarifas acabam prejudicando os dois países. O presidente brasileiro defendeu que as equipes dos governos voltem a negociar para tentar encontrar uma solução. Trump concordou com a necessidade de manter fortes os laços comerciais entre Brasil e Estados Unidos e propôs que os representantes dos dois países voltem a se reunir o quanto antes.
Na prática, o entendimento anunciado é que as negociações serão retomadas. A nota oficial, no entanto, não informa se as tarifas serão suspensas ou reduzidas nem apresenta um prazo para um possível acordo definitivo.
Parceria contra o crime organizado
Lula também reforçou o interesse do Brasil em trabalhar em conjunto com os Estados Unidos no combate ao crime organizado. O presidente explicou que as facções criminosas atingem principalmente as comunidades mais pobres, mas afirmou que esses grupos não devem ser classificados como organizações terroristas.
Segundo o governo brasileiro, Lula apresentou a estratégia de sufocar financeiramente as organizações criminosas. O presidente citou apreensões que chegam a aproximadamente R$ 17 bilhões e falou sobre o plano de transformar 138 presídios em unidades de segurança máxima.
A conversa também tratou da Lei Antifacção, que, conforme a nota, facilita a apreensão de bens e passaportes de integrantes de grupos criminosos. Lula ainda mencionou uma proposta de mudança na Constituição para aumentar a participação do governo federal na segurança pública, em parceria com estados e municípios.
Outro ponto apresentado foi o Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, instalado em Manaus. O espaço reúne policiais de países amazônicos para fortalecer o combate a crimes que atravessam as fronteiras da região.
Lula e Trump falam sobre guerras
Os presidentes também discutiram a guerra entre Rússia e Ucrânia e os conflitos no Oriente Médio. De acordo com a Presidência, Lula e Trump concordaram que é urgente buscar uma solução negociada para a guerra na Ucrânia.
Trump falou sobre as possibilidades de resolver o conflito com o Irã. Lula, por sua vez, criticou a dificuldade de atuação do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e sugeriu uma reunião extraordinária do órgão para buscar saídas diplomáticas para as crises internacionais.
Ao defender a diplomacia, Lula afirmou que os grandes líderes não são aqueles que começam guerras, mas os que conseguem colocar fim aos conflitos.


