Moradores rejeitam área de Proteção Ambiental no Bico após audiência pública

por 29/08/2025
Encontro dos Rios Araguaia e Tocantins em Esperantina
Foto: Fernando Alves/Governo do Tocantins

Uma audiência pública convocada pela Prefeitura de Esperantina para discutir a criação de uma Área de Proteção Ambiental (APA) no Bico do Papagaio transformou-se em um forte ato de resistência contra a proposta.

O detalhe mais marcante: nenhum representante do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), responsável pelo projeto, compareceu ao encontro, deixando o palco aberto para críticas contundentes de prefeitos, vereadores, produtores rurais e lideranças comunitárias.

Clima de insatisfação

O espaço lotado refletia a tensão da comunidade. A cada fala, repetia-se a mesma posição: defesa da preservação ambiental, mas rejeição ao modelo de APA proposto pelo governo federal.

Autoridades destacaram o medo de insegurança jurídica, as restrições produtivas e os riscos para famílias que dependem diretamente da agricultura e da pesca.

O discurso da prefeita

Esperantina, APA no Bico do papagaio, Audiência Pública em espertina

Em um tom firme, a prefeita Maria Antonia Rodrigues dos Santos Silva (Tota do Francimar) sintetizou o sentimento coletivo:

“Amigos e amigas, estamos aqui hoje para discutir o futuro do Bico do Papagaio, e quero reafirmar de forma muito clara o meu posicionamento contrário à criação do Monumento Natural e da Área de Proteção Ambiental. Esta proposta, como está sendo colocada, coloca em risco centenas de famílias, gera insegurança jurídica e dificulta o acesso ao crédito rural.”

A fala da gestora foi recebida com aplausos e gritos de apoio da plateia.

Vozes uníssonas contra a APA

O vereador Lucas Ribeiro lembrou que participou da consulta pública anterior, mas que, após analisar relatórios técnicos, se posicionou contra:

“Eu não tenho o olhar técnico, mas tenho o olhar do pequeno e do grande produtor. E é por isso que digo: sou contra a criação dessa área. Precisamos preservar, sim, mas sem limitar os nossos produtores e sem travar a economia da região.”

Na mesma linha, o presidente da FAET (Federação da Agricultura e Pecuária do Tocantins), Luiz Cláudio Faria, fez um pronunciamento forte, recheado de dados:

“Hoje, o Tocantins já tem 27 milhões de hectares, e mais da metade desse território está preservado. Quem mais preserva o meio ambiente nesse Estado é o produtor rural. Não precisamos de mais áreas de conservação impostas de cima para baixo.”

Ele lembrou que muitas unidades já existentes não possuem sequer plano de manejo e que agricultores enfrentam embargos até para plantar mandioca ou vender gado.

Ausência do ICMBio gera críticas

Um dos pontos mais comentados durante a audiência foi a falta de representantes do ICMBio. Convidado oficialmente, o órgão não enviou nenhum técnico ou gestor para debater com a comunidade, o que aumentou a insatisfação dos presentes.

Encaminhamentos

Entre os presentes, a audiência contou com a prefeita de Esperantina, Maria Antonia Rodrigues dos Santos Silva, a prefeita de Buriti, Lucilene, vereadores da região e os deputados estaduais Amélio Cayres e Wiston Gomes, que se manifestaram firmes contra a proposta de criação da APA. Durante o evento, além de colher assinaturas da população contra o projeto, as autoridades garantiram que vão mover céus e terras para impedir a implementação da área de preservação, com o deputado Amélio destacando que já articula ações em Brasília e que, com união e organização dos municípios, será possível barrar o projeto.

Ao final, prefeitos, vereadores, sindicatos e federações reforçaram que o posicionamento do Bico do Papagaio é unânime: contra a criação da APA.

As manifestações devem ser encaminhadas formalmente ao ICMBio e ao governo federal, como forma de pressão política e social para barrar a proposta.

Daiane Silva

Daiane Silva

Olá, meu nome é Daiane Silva, tenho 23 anos e estudo Publicidade e Propaganda na Universidade Estácio de Sá, além de Jornalismo na Universidade Federal do Maranhão. Tenho uma paixão especial por narrar histórias de pessoas comuns, especialmente no jornalismo de profundidade, onde cada detalhe é meticulosamente explorado, sem deixar nada de fora. Valorizo a experiência de sentir, ouvir e reviver os eventos que reporto. No Diário de Augustinópolis, meu papel principal é trazer informações detalhadas e de alta qualidade. Estou à disposição para recebê-los aqui sempre que possível.

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