Para além dos livros e do ensino, Dorinha Marques também cantava sentimentos

Professora Dorinha Marques
Foto: Davino Lima
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Um vídeo simples, gravado sem grandes produções, ganhou novo significado nos últimos dias em Augustinópolis. Nele, a professora e escritora Doralice Rodrigues Marques, conhecida como Dorinha Marques, aparece sentada, falando diretamente com quem está do outro lado da tela. A gravação foi resgatada pela redação do Diário de Augustinópolis após a confirmação de sua morte.

Logo nos primeiros segundos, Dorinha se apresenta com a naturalidade de quem estava acostumada a ensinar e acolher. Sem pressa, ela introduz o assunto: “Quero falar aqui um pouquinho de uma história do meu quarto livro”. Em seguida, faz questão de explicar que, embora seja uma narrativa criada, carrega elementos reais. “É uma realidade da vida de hoje”, diz.

A história contada por ela gira em torno de uma professora que, durante o recreio, reunia os alunos para conversar sobre a vida, não sobre conteúdos escolares, mas sobre escolhas, sentimentos e valores. “Na hora do recreio ela sempre chamava os alunos para explicar a verdade, como a vida poderia ser”, relata.

A partir desse ponto, o vídeo deixa de ser apenas uma narrativa e se transforma em uma sequência de conselhos. Dorinha fala diretamente ao público, como se estivesse diante de uma sala de aula. Em um dos trechos, reforça a importância da autoestima e da fé como base para seguir em frente:

“Você tem que se valorizar, você tem que dar valor ao seu próprio ser… dizer ‘eu sou feliz’… porque Deus é o maior, ele sempre está do meu lado”.

Em outro momento, a fala se volta para a família. Com tom firme, ela alerta sobre o tempo e a necessidade de expressar sentimentos enquanto ainda há oportunidade. “Diga pro seu pai e pra sua mãe: eu amo vocês… não deixe pra amanhã o que você pode fazer hoje”, aconselha, destacando que muitas pessoas só percebem isso depois que já é tarde.

O vídeo também traz reflexões sobre empatia e solidariedade. Dorinha orienta que as pessoas ajudem quem realmente precisa, sem esperar retorno. “Faça o bem sem olhar a quem… ajude aquele que não tem condição”, afirma, ao questionar ainda se quem escuta já fez alguém feliz — e reforçar que esse é um dos sentimentos mais importantes que alguém pode experimentar.

Ao longo da gravação, ela intercala a história com observações sobre a vida real. Em um dos trechos, lembra que a vida é instável e exige preparo emocional. “A vida é cheia de surpresa… hoje você tá lá em cima, amanhã pode tá lá embaixo”, diz, em tom de alerta.

Há também espaço para falar sobre tristeza e formas de enfrentá-la. Dorinha sugere caminhos simples, como a oração, a música e pequenas distrações do dia a dia. Em determinado momento, menciona o próprio hábito de recorrer à música para lidar com sentimentos difíceis, reforçando uma característica pessoal que também marcou sua trajetória artística.

Já na parte final do vídeo, ela faz uma reflexão sobre si mesma, reconhecendo que nem sempre é fácil colocar em prática tudo aquilo que se ensina. “Às vezes eu fico pensando… eu nem sei se realmente faço tudo isso… mas tenho certeza que daqui pra frente eu vou fazer”, afirma.

Encerrando a gravação, Dorinha reforça a mensagem central que atravessa toda a fala: viver o presente, agir com bondade e manter a fé. “Faça hoje, não deixe pra amanhã… sorria sempre… Deus é o maior”, conclui.

O conteúdo, que inicialmente apresentava apenas uma história de livro, passou a ser visto de outra forma após sua morte. Para muitos, o vídeo funciona agora como um registro direto de sua forma de pensar e ensinar, uma extensão da professora que marcou alunos não apenas pelo conteúdo, mas pelas palavras e pelos conselhos que levava para além da sala de aula.

Além das salas de aula: a professora Dorinha Marques também se expressava pela música

A professora Dorinha Marques não se limitava às palavras escritas ou às lições transmitidas em sala. Ela também era artista, cantora e compositora, e por meio de suas canções deixava transparecer emoções profundas e delicadas. Um exemplo marcante disso é a música “Quero Você, Meu Bem”, na qual sua sensibilidade se revela em cada verso:

“Como é triste a solidão que aqui me faz chorar… Vem, vem, meu bem, siga o meu caminho… Quero você, meu bem, vem…”

Esses momentos musicais mostravam um lado íntimo e criativo da professora, permitindo que seus alunos e todos que a conheciam enxergassem além da educadora dedicada, uma mulher capaz de transformar sentimentos em arte e emoção. Recordar essas canções é também celebrar a alma artística que Dorinha Marques trouxe para o mundo.

Há 11 anos, Dorinha Marques contagiava corações com sua música

Há 11 anos, em 15 de agosto de 2014, um vídeo capturou um momento mágico na quadra da escola onde Dorinha Marques lecionava. Com 4.867 visualizações até hoje, as imagens mostram adolescentes dançando ao som da sua voz, sorrindo e se divertindo, enquanto ela, animada e cheia de energia, conduzia a festa com carinho e entusiasmo.

Naquele instante, Dorinha não era apenas professora: era artista, cantora e compositora. Sua presença transformava o espaço, unindo gerações através da música e criando memórias inesquecíveis. Cada gesto, cada nota, cada sorriso compartilhado revelava uma educadora que sabia encantar tanto com o ensino quanto com a arte.

Daiane Silva

Daiane Silva

Olá, meu nome é Daiane Silva, tenho 23 anos e estudo Publicidade e Propaganda na Universidade Estácio de Sá, além de Jornalismo na Universidade Federal do Maranhão. Tenho uma paixão especial por narrar histórias de pessoas comuns, especialmente no jornalismo de profundidade, onde cada detalhe é meticulosamente explorado, sem deixar nada de fora. Valorizo a experiência de sentir, ouvir e reviver os eventos que reporto. No Diário de Augustinópolis, meu papel principal é trazer informações detalhadas e de alta qualidade. Estou à disposição para recebê-los aqui sempre que possível.

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