19 de abr. 2026 às 12:33
Os dados fazem parte de uma pesquisa divulgada em março de 2026, realizada pelo FGV IBRE – Centro de Estudos em Infraestrutura, da Fundação Getulio Vargas, em parceria com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).
O comportamento dos custos das obras rodoviárias no Brasil vem sendo fortemente influenciado pela queda nos preços dos materiais asfálticos, com destaque para o cimento asfáltico de petróleo (CAP), que registrou uma retração de 22,29% nos últimos 12 meses.
O insumo, essencial para serviços de pavimentação, se tornou o principal responsável pela deflação observada no setor, impactado diretamente pela variação dos derivados de petróleo no mercado.
O que mede o DNIT-R e o INCC
O cenário é acompanhado por dois indicadores importantes do setor da construção.
O DNIT-R, elaborado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), é um índice que mede a variação dos custos de obras rodoviárias no país, como construção e manutenção de estradas. Ele considera principalmente preços de materiais de pavimentação, mão de obra e equipamentos utilizados em infraestrutura de transporte.
Já o INCC (Índice Nacional de Custo da Construção), calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), acompanha a evolução dos custos da construção civil em geral, incluindo obras como edifícios residenciais, comerciais e serviços de engenharia, com base em materiais, mão de obra e equipamentos.
Materiais puxam queda no setor
De acordo com os dados mais recentes, o índice de materiais, que representa cerca de 72% do DNIT-R, acumulou queda de 9,23% em 12 meses até fevereiro de 2026.
Essa redução tem sido determinante para o desempenho geral do setor rodoviário, já que a queda nos insumos tem superado as pressões de alta em outros componentes, como mão de obra e equipamentos.
Enquanto isso, a mão de obra segue em trajetória de alta, com variação acumulada de 5,39%, refletindo uma desaceleração no ritmo de aumento dos custos trabalhistas. Já o grupo de equipamentos e veículos apresenta leve queda de 0,88%.
Setor rodoviário se afasta da construção civil
A diferença entre os dois índices também chama atenção. O DNIT-R acumula queda de 6,08% em 12 meses, enquanto o INCC mantém comportamento mais estável e levemente positivo no período.
Esse descolamento evidencia que obras rodoviárias e construção civil vêm sendo impactadas de forma diferente, principalmente pela forte influência dos derivados de petróleo no setor de infraestrutura.
Petróleo no centro da deflação
A queda nos preços dos combustíveis e derivados de petróleo aparece como fator central para entender o cenário atual, já que influencia diretamente o custo dos materiais asfálticos.
Na prática, isso ajuda a explicar por que, mesmo com alta em alguns componentes, o índice geral do setor rodoviário segue em trajetória de queda.
Bom ou ruim? O que isso significa na prática
A redução nos custos das obras rodoviárias pode ter impactos diferentes dependendo da perspectiva. Para o setor público e para projetos de infraestrutura, a queda é positiva, já que pode tornar a execução de obras mais barata e viabilizar mais investimentos dentro do mesmo orçamento.
Por outro lado, esse movimento não significa necessariamente um cenário econômico totalmente favorável. A queda é fortemente influenciada pelos preços dos derivados de petróleo, enquanto outros custos, como a mão de obra, continuam em alta. Ou seja, trata-se de um cenário misto, em que a redução de alguns insumos convive com a pressão de aumento em outros.

