Queda no preço do asfalto puxa custos de obras rodoviárias para baixo no Brasil

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Foto: FreePik
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Os dados fazem parte de uma pesquisa divulgada em março de 2026, realizada pelo FGV IBRE – Centro de Estudos em Infraestrutura, da Fundação Getulio Vargas, em parceria com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).

O comportamento dos custos das obras rodoviárias no Brasil vem sendo fortemente influenciado pela queda nos preços dos materiais asfálticos, com destaque para o cimento asfáltico de petróleo (CAP), que registrou uma retração de 22,29% nos últimos 12 meses.

O insumo, essencial para serviços de pavimentação, se tornou o principal responsável pela deflação observada no setor, impactado diretamente pela variação dos derivados de petróleo no mercado.

O que mede o DNIT-R e o INCC

O cenário é acompanhado por dois indicadores importantes do setor da construção.

O DNIT-R, elaborado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), é um índice que mede a variação dos custos de obras rodoviárias no país, como construção e manutenção de estradas. Ele considera principalmente preços de materiais de pavimentação, mão de obra e equipamentos utilizados em infraestrutura de transporte.

Já o INCC (Índice Nacional de Custo da Construção), calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), acompanha a evolução dos custos da construção civil em geral, incluindo obras como edifícios residenciais, comerciais e serviços de engenharia, com base em materiais, mão de obra e equipamentos.

Materiais puxam queda no setor

De acordo com os dados mais recentes, o índice de materiais, que representa cerca de 72% do DNIT-R, acumulou queda de 9,23% em 12 meses até fevereiro de 2026.

Essa redução tem sido determinante para o desempenho geral do setor rodoviário, já que a queda nos insumos tem superado as pressões de alta em outros componentes, como mão de obra e equipamentos.

Enquanto isso, a mão de obra segue em trajetória de alta, com variação acumulada de 5,39%, refletindo uma desaceleração no ritmo de aumento dos custos trabalhistas. Já o grupo de equipamentos e veículos apresenta leve queda de 0,88%.

Setor rodoviário se afasta da construção civil

A diferença entre os dois índices também chama atenção. O DNIT-R acumula queda de 6,08% em 12 meses, enquanto o INCC mantém comportamento mais estável e levemente positivo no período.

Esse descolamento evidencia que obras rodoviárias e construção civil vêm sendo impactadas de forma diferente, principalmente pela forte influência dos derivados de petróleo no setor de infraestrutura.

Petróleo no centro da deflação

A queda nos preços dos combustíveis e derivados de petróleo aparece como fator central para entender o cenário atual, já que influencia diretamente o custo dos materiais asfálticos.

Na prática, isso ajuda a explicar por que, mesmo com alta em alguns componentes, o índice geral do setor rodoviário segue em trajetória de queda.

Bom ou ruim? O que isso significa na prática

A redução nos custos das obras rodoviárias pode ter impactos diferentes dependendo da perspectiva. Para o setor público e para projetos de infraestrutura, a queda é positiva, já que pode tornar a execução de obras mais barata e viabilizar mais investimentos dentro do mesmo orçamento.

Por outro lado, esse movimento não significa necessariamente um cenário econômico totalmente favorável. A queda é fortemente influenciada pelos preços dos derivados de petróleo, enquanto outros custos, como a mão de obra, continuam em alta. Ou seja, trata-se de um cenário misto, em que a redução de alguns insumos convive com a pressão de aumento em outros.

Daiane Silva

Daiane Silva

Olá, meu nome é Daiane Silva, tenho 23 anos e estudo Publicidade e Propaganda na Universidade Estácio de Sá, além de Jornalismo na Universidade Federal do Maranhão. Tenho uma paixão especial por narrar histórias de pessoas comuns, especialmente no jornalismo de profundidade, onde cada detalhe é meticulosamente explorado, sem deixar nada de fora. Valorizo a experiência de sentir, ouvir e reviver os eventos que reporto. No Diário de Augustinópolis, meu papel principal é trazer informações detalhadas e de alta qualidade. Estou à disposição para recebê-los aqui sempre que possível.

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