TCETO manda suspender contratação de Bruno & Marrone em Axixá devido a indícios de irregularidades

Img 7883.jpg
Comentar 0

O Tribunal de Contas do Tocantins (TCE/TO) determinou a interrupção imediata do contrato firmado pela Prefeitura de Axixá do Tocantins para a apresentação da dupla Bruno & Marrone, prevista para 14 de março de 2026. A decisão cautelar, assinada pelo conselheiro Napoleão de Souza Luz Sobrinho e publicada no Boletim Oficial n.º 3856 desta quinta-feira (11), afeta um acordo de R$ 1,1 milhão fechado por inexigibilidade de licitação com a empresa WBM Produtora de Eventos Ltda.

A suspensão foi emitida após análise da 2ª Diretoria de Controle Externo, que identificou uma série de inconsistências no processo. Segundo o relatório técnico, o município deixou de apresentar documentos básicos exigidos pela Lei nº 14.133/2021, como pesquisa de preços, Documento de Formalização da Demanda e empenho. Também foram apontados um Estudo Técnico Preliminar insuficiente, divergências entre o Termo de Referência e o contrato, além de assinaturas emitidas em ordem incorreta e parecer jurídico posterior à autorização da inexigibilidade.

Pagamentos antecipados e cláusulas que favorecem a contratada

Outro ponto considerado crítico pelo Tribunal é a previsão de pagamento quase integral antes da realização do show. Pelo contrato, R$ 198 mil deveriam ser pagos até 31 de dezembro de 2025, e os outros R$ 902 mil até sete dias úteis antes da apresentação. Em caso de cancelamento por falhas do próprio município — como ausência de licenças — a empresa não seria obrigada a devolver os valores já recebidos, o que o órgão de controle apontou como risco de enriquecimento sem causa.

Situação fiscal fragilizada pesa na decisão

A Corte também levou em conta o contexto financeiro de Axixá. O município acumula R$ 1,39 milhão em restos a pagar processados, apresenta gasto com pessoal acima do limite da Lei de Responsabilidade Fiscal (62,47% da Receita Corrente Líquida) e já recebeu alertas por não cumprir mínimos constitucionais em saúde, educação e investimentos vinculados ao Fundeb.

Além disso, indicadores como baixa cobertura vacinal, falhas na atenção básica, alta mortalidade infantil e mais de R$ 9,8 milhões em contribuições previdenciárias não repassadas reforçaram o entendimento de que a despesa de R$ 1,1 milhão com o show é incompatível com a realidade do município.

O que deve acontecer agora

Com a decisão cautelar, o prefeito de Axixá está obrigado a suspender todos os atos relacionados à Inexigibilidade nº 010/2025, interromper qualquer execução financeira e enviar ao Tribunal a íntegra do Processo Administrativo nº 62/2025 em até cinco dias úteis. A comprovação da suspensão deve ocorrer em até 24 horas. Os responsáveis foram citados e terão 15 dias úteis para apresentar defesa.

De acordo com o relator, a medida visa prevenir possível dano ao erário e garantir que os princípios da legalidade e da economicidade sejam respeitados. O TCE já havia advertido o município sobre gastos com festas diante das fragilidades fiscais identificadas.

Daiane Silva

Daiane Silva

Olá, meu nome é Daiane Silva, tenho 23 anos e estudo Publicidade e Propaganda na Universidade Estácio de Sá, além de Jornalismo na Universidade Federal do Maranhão. Tenho uma paixão especial por narrar histórias de pessoas comuns, especialmente no jornalismo de profundidade, onde cada detalhe é meticulosamente explorado, sem deixar nada de fora. Valorizo a experiência de sentir, ouvir e reviver os eventos que reporto. No Diário de Augustinópolis, meu papel principal é trazer informações detalhadas e de alta qualidade. Estou à disposição para recebê-los aqui sempre que possível.