Vídeo de audiência, denúncias de advogados e um ofício polêmico: o caso que expôs tensões no Judiciário de Augustinópolis

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Um vídeo gravado durante uma audiência no fórum de Augustinópolis, no extremo norte do Tocantins, começou a circular entre advogados da região em 2025. Nas imagens, o juiz da 2ª Vara Criminal da comarca, Alan Ide Ribeiro da Silva, discute com uma advogada e interrompe perguntas feitas durante um interrogatório.

A gravação rapidamente se espalhou em grupos de profissionais do direito e passou a ser citada em conversas dentro e fora do fórum. Para parte da advocacia local, o episódio representava um problema que, segundo eles, já vinha sendo relatado havia algum tempo: dificuldades no exercício da defesa durante audiências.

Meses depois, a situação ganhou contornos institucionais.

Advogados que atuam em Augustinópolis e também na comarca vizinha de Araguatins formalizaram uma denúncia coletiva encaminhada à Ordem dos Advogados do Brasil. O documento reunia relatos de profissionais que afirmavam ter enfrentado interrupções durante perguntas, discussões em sala de audiência e situações consideradas incompatíveis com as prerrogativas da advocacia.

A mobilização chamou atenção porque não era comum ver uma manifestação coletiva desse tipo envolvendo a atuação de um magistrado na região.

Entre os advogados que participaram das discussões, a avaliação era de que o problema não estava necessariamente nas decisões judiciais ou na condução processual dos casos, mas na forma como o diálogo entre magistrado e defesa ocorreria dentro das audiências.

O afastamento

Com a repercussão do episódio e as manifestações da advocacia, o caso passou a ser analisado administrativamente pelo Tribunal de Justiça do Tocantins.

O juiz acabou sendo afastado cautelarmente enquanto os fatos são avaliados.

O afastamento, porém, não encerrou a discussão.

Na prática, ele abriu uma nova controvérsia — desta vez dentro da própria advocacia.

O documento enviado ao tribunal

Em fevereiro de 2026, a subseção da OAB de Augustinópolis enviou um ofício ao Tribunal de Justiça do Tocantins manifestando preocupação com os efeitos do afastamento do magistrado na comarca.

No documento, a entidade afirma que, desde que assumiu a vara criminal, o juiz teria implantado uma rotina de trabalho organizada e contribuído para aumentar o ritmo de tramitação dos processos.

O texto menciona ainda a ampliação na realização de audiências e a redução do acervo processual da unidade judicial. Também pede que o tribunal avalie medidas para garantir a continuidade da prestação jurisdicional na comarca. 

Reação de advogados

O envio do ofício provocou reação entre alguns profissionais da advocacia da região.

Isso porque parte dos advogados que participaram da denúncia coletiva afirmou não ter sido consultada sobre a manifestação institucional.

A situação motivou a publicação de textos e artigos críticos em grupos e redes profissionais.

Um dos posicionamentos mais extensos foi escrito pelo advogado Fábio de Alcântara, que atua há mais de duas décadas na região. No texto, ele questiona a contradição entre a mobilização coletiva anterior da advocacia e o envio do novo documento ao tribunal.

Segundo ele, a principal preocupação dos advogados nunca foi a produtividade da vara criminal, mas a relação institucional entre magistrado e defesa dentro das audiências.

Um debate sobre prerrogativas

O episódio acabou revelando um debate mais amplo sobre a atuação do sistema de justiça na região.

De um lado, advogados reconhecem que a vara criminal passou a registrar maior volume de audiências e decisões nos últimos anos.

De outro, profissionais da defesa afirmam que eficiência processual não pode ocorrer à custa de limitações ao exercício da advocacia.

Daiane Silva

Daiane Silva

Olá, meu nome é Daiane Silva, tenho 23 anos e estudo Publicidade e Propaganda na Universidade Estácio de Sá, além de Jornalismo na Universidade Federal do Maranhão. Tenho uma paixão especial por narrar histórias de pessoas comuns, especialmente no jornalismo de profundidade, onde cada detalhe é meticulosamente explorado, sem deixar nada de fora. Valorizo a experiência de sentir, ouvir e reviver os eventos que reporto. No Diário de Augustinópolis, meu papel principal é trazer informações detalhadas e de alta qualidade. Estou à disposição para recebê-los aqui sempre que possível.

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