Contrato de R$ 255 milhões com Governo do Tocantins ocorre em meio a investigação sobre operações do BRB com Banco Master

Banco de Brasília BRB
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A contratação do Banco de Brasília (BRB) pelo Governo do Tocantins para assumir a folha de pagamento de servidores e a gestão financeira do Estado ocorreu no mesmo período em que o banco ampliava sua atuação nacional e conduzia operações que hoje são alvo de investigação da Polícia Federal.

Formalizado em 2024, o contrato prevê o repasse de R$ 255 milhões ao Estado em troca da exclusividade na operação da folha, que inclui cerca de 85 mil vínculos, além da centralização da conta única do Tesouro e do processamento de pagamentos públicos. A contratação foi feita com dispensa de licitação.

Expansão do BRB e aproximação com o Banco Master

O avanço do BRB sobre novos mercados, como o Tocantins, ocorreu em paralelo a uma estratégia de crescimento baseada em aquisições, parcerias e operações financeiras estruturadas.

Nesse contexto, o banco passou a se aproximar do Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro. Essa relação incluiu negociações para aquisição do Banco Master pelo BRB, além de operações envolvendo carteiras de crédito e ativos financeiros.

O que a Polícia Federal investiga

Essas operações passaram a ser investigadas na Operação Compliance Zero.

Na quarta fase da investigação, a Polícia Federal prendeu o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, que esteve à frente do banco entre 2019 e 2025.

Política paulo henrique costa
Paulo Henrique Costa foi preso na quarta fase da Operação Compliance Zero Foto: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília

Segundo decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, há indícios de que Costa teria recebido vantagens indevidas para viabilizar a compra do Banco Master pelo BRB.

A investigação aponta:

suspeita de pagamento de propina; uso de empresas e fundos para ocultação de bens; negociação de ativos com inconsistências

Entre os elementos citados estão imóveis avaliados em mais de R$ 146 milhões, além de mensagens que indicariam proximidade entre os envolvidos.

Operações sob suspeita

De acordo com a investigação, parte das operações analisadas envolve carteiras de crédito que teriam apresentado irregularidades, como:

contratos inadimplentes; registros vinculados a pessoas falecidas; documentos considerados artificiais por órgãos de controle

Essas operações teriam sido estruturadas no contexto das negociações entre o BRB e o Banco Master.

O ponto de conexão com o Tocantins

O contrato firmado com o Tocantins não faz parte da investigação.

No entanto, ele ocorre dentro do mesmo período em que:

o BRB ampliava sua presença fora do Distrito Federal; o banco negociava operações com o Banco Master; e essas operações passaram a ser investigadas por suspeitas de irregularidades

Além disso, o acordo com o Estado concentrou no BRB funções como:

gestão da folha de pagamento; controle da conta única do Tesouro; execução de pagamentos públicos

Esse modelo amplia o papel do banco sobre o fluxo financeiro estadual.

Dispensa de licitação e justificativa do contrato

O contrato firmado entre o Governo do Tocantins e o Banco de Brasília para a gestão da folha de pagamento e de serviços financeiros do Estado foi formalizado por meio de dispensa de licitação, com fundamento no art. 75 da Lei nº 14.133/2021.

A medida consta em processo administrativo e em extrato publicado no Diário Oficial. Nos documentos, o governo justifica a contratação direta pela necessidade de centralizar, em uma única instituição, a operação da folha, a gestão da conta única do Tesouro e a execução de pagamentos estaduais.

O mesmo conjunto de documentos registra que o contrato prevê o repasse de R$ 255 milhões ao Estado, além da prestação exclusiva dos serviços financeiros. Em comunicações oficiais, o Executivo informa que os recursos foram incorporados ao Tesouro e vinculados ao financiamento de despesas públicas.

A legislação autoriza a dispensa de licitação em contratações com instituições financeiras públicas, mas condiciona esse procedimento à apresentação de justificativa técnica. Entre os requisitos previstos estão a indicação das razões para a escolha do banco e a demonstração de compatibilidade dos valores com os praticados no mercado.

Esse entendimento é reiterado na doutrina de direito administrativo. Autores como Marçal Justen Filho e Joel de Menezes Niebuhr apontam que a contratação direta não afasta a necessidade de motivação do ato nem a comprovação de vantagem para a administração pública.

No mesmo sentido, decisões do Tribunal de Contas da União estabelecem que, mesmo nos casos de dispensa, a administração deve apresentar justificativa de preço e da escolha do fornecedor, especialmente em contratos com exclusividade e impacto financeiro elevado.

Estrutura do contrato

O acordo prevê:

exclusividade na operação da folha; centralização das movimentações financeiras; pagamento de R$ 255 milhões ao Estado

Antes disso, a operação era realizada pelo Banco do Brasil.

A migração foi concluída em 2025.

A repercussão do caso ganhou dimensão política após manifestação do vice-governador Laurez Moreira, que passou a questionar o contrato firmado entre o Governo do Tocantins e o Banco de Brasília. Em entrevistas e declarações públicas, o vice classificou a operação como controversa e defendeu a necessidade de revisão dos termos do acordo.

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Edição gerada por IA_ Foto original: Bruno Maia/Governo do Tocantins

A posição foi apresentada após o avanço das investigações envolvendo o banco, conduzidas pela Polícia Federal, e incluiu questionamentos sobre a dispensa de licitação e a substituição do Banco do Brasil na gestão da folha de pagamento estadual.

A mudança também gerou reação entre servidores públicos nas redes sociais. Em comentários publicados em perfis e páginas ligadas ao tema, usuários questionaram a substituição do Banco do Brasil pelo Banco de Brasília, especialmente em relação à estrutura de atendimento. Parte das manifestações aponta preocupação com a ausência de agências físicas e com a obrigatoriedade de migração.

“Vou sair de um banco com ponto físico na minha cidade para um banco virtual? E quando ocorrer qualquer problema, quem resolverá?”, questionou uma servidora.

Outros comentários mencionam falta de consulta prévia

“o Estado fez consulta pública sobre isso?”

e críticas diretas à medida, classificada como

“falta de respeito com o servidor”.

Também aparecem dúvidas sobre os benefícios da mudança

“pra quê? pra quem vai o benefício?”

Além de manifestações de resistência, como

“prefiro continuar com o Banco do Brasil” “ficarei no BB, que tem inúmeras agências”.

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Captura de tela de rede social

A sequência de eventos; expansão do banco, contratos com governos e investigação sobre operações financeiras, colocou o BRB no centro de atenções institucionais e do mercado.

Enquanto a apuração da Polícia Federal se concentra nas relações com o Banco Master, contratos firmados com entes públicos seguem em execução, incluindo o do Tocantins.

Daiane Silva

Daiane Silva

Olá, meu nome é Daiane Silva, tenho 23 anos e estudo Publicidade e Propaganda na Universidade Estácio de Sá, além de Jornalismo na Universidade Federal do Maranhão. Tenho uma paixão especial por narrar histórias de pessoas comuns, especialmente no jornalismo de profundidade, onde cada detalhe é meticulosamente explorado, sem deixar nada de fora. Valorizo a experiência de sentir, ouvir e reviver os eventos que reporto. No Diário de Augustinópolis, meu papel principal é trazer informações detalhadas e de alta qualidade. Estou à disposição para recebê-los aqui sempre que possível.

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