18 de out. 2026 às 16:13
• Estudo estima 13,3 mil mortes adicionais relacionadas ao calor no Brasil até fevereiro de 2027; previsão aponta temperaturas acima da média em partes do Tocantins
Quem vive no Bico do Papagaio conhece bem o calor da região. Basta passar alguns minutos na rua para sentir a necessidade de procurar uma sombra e tomar água. Mas o que acontece a milhares de quilômetros daqui, no Oceano Pacífico, pode influenciar ainda mais as temperaturas e as chuvas que chegam ao norte do Tocantins.
O fenômeno se chama El Niño e ocorre quando as águas superficiais do Pacífico Equatorial ficam mais quentes que o normal, alterando a circulação da atmosfera e os padrões climáticos em diferentes partes do mundo.
A previsão climática para outubro a dezembro de 2026 aponta temperaturas acima da média e possibilidade de chuvas abaixo do normal em partes do Tocantins. O cenário pode trazer desafios para agricultores, aumentar a pressão sobre os recursos hídricos e favorecer condições para incêndios.
O alerta também envolve a saúde. Um estudo do Climate Impact Lab, ligado à Universidade de Chicago, estima cerca de 451 mil mortes adicionais relacionadas ao calor no mundo entre setembro de 2026 e fevereiro de 2027. Para o Brasil, a projeção é de aproximadamente 13,3 mil. Os números são estimativas científicas, não mortes já registradas.
A previsão não significa que todos os municípios enfrentarão as mesmas condições. Por isso, acompanhar os boletins meteorológicos e os alertas da Defesa Civil é fundamental.
Enquanto os pesquisadores monitoram o oceano, a população pode adotar cuidados simples: beber água regularmente, evitar exposição prolongada ao sol nos horários mais quentes e procurar locais frescos.
No Bico do Papagaio, entender o El Niño é também entender como um fenômeno distante pode influenciar a nossa rotina, o trabalho no campo e a água que chega às nossas casas.

