24 de set. 2026 às 13:36
Existem cenas inusitadas que acontecem a todo momento, e em todo canto, mas, falando de serviço público, as coisas parecem ainda mais bizarras. Há um bom tempo, o Diário de Augustinópolis, bem como toda a rede Tribune Mídia, vem defendendo os interesses do jornalismo, e se posiciona de forma voluntária como um guardião dessa profissão no extremo norte do estado do Tocantins. Como instituição, buscamos defender os injustiçados, expondo o assédio jurídico e político relacionados a essa comunidade.
Vale lembrar um caso específico, ao qual questionamos via CNJ a decisão da Juíza de Direito Umbelina Lopes Pereira Rodrigues, titular da 1ª Escrivania Cível da Comarca de Itaguatins/TO. Na ocasião, a magistrada decidiu em desfavor do jornalista Stoff Vieira, determinando, além da retirada de conteúdo, que o jornalista fosse proibido de falar de um funcionário público, o então prefeito de Axixá do Tocantins, Auri Wulange Ribeiro. O nosso questionamento deu-se em observância à ADPF 130, que proíbe qualquer tipo de censura prévia. Estranhamente, a decisão da togada fixou multa diária caso o jornalista voltasse a falar do “DEUS PÚBLICO”, ou seja, CENSURA EM PLENO 2026.
Mas o endeusamento de cargos públicos não se restringe a juízes, prefeitos e governantes de altas patentes; esse mecanismo de defesa psicológica atinge também os mais baixos níveis do serviço público. Na última quarta-feira (23), a redação do D.A. foi surpreendida mais uma vez ao receber uma DM via Instagram. O policial penal Ailton Teixeira e Silva, lotado na unidade penal de Araguatins, com matrícula Nº 11585374-1, exigiu a retirada de um vídeo em que nossa jornalista Daiane Silva relatava a nova fase da operação Falsum Imperium, operação essa que investiga um esquema de fraude milionária que envolve diversas pessoas, incluindo alguns funcionários da penitenciária de Araguatins. Foi exatamente nesse contexto que Ailton decidiu intimidar, acusando a redação de generalizar a má conduta. Em uma das mensagens, ele claramente exige que nossa equipe gravasse outra reportagem especificando que parte dos policiais tem boa conduta.
“Da forma que noticiaram, incluem todos os policiais penais que atuam em araguatins. São quase 30. A absoluta maioria não tem qualquer envolvimento em nenhum ilícito. Solicito que façam novo video destacando isso”.

Ailton foi aprovado e classificado no certame realizado para o Sistema Penitenciário e Prisional do Estado do Tocantins (Edital de 2014), obteve a nota final de 86,00 pontos, conquistando a 25ª colocação geral para o cargo no polo correspondente, foi declarado formalmente como ‘Apto’ no Curso de Formação Profissional em Diário Oficial publicado em 27 de janeiro de 2017 (pertencente à Turma 38). Conforme o Diário Oficial do Estado nº 4622 (abril de 2022), foi publicado o ato de remoção legal com fins específicos de regularização no sistema cadastral Ergon. O ato administrativo formalizou a transferência da antiga Unidade Penal de Araguatins para a recém-estruturada Unidade Penal Regional de Araguatins, com efeitos retroativos vigentes desde 11 de novembro de 2021.
Embora os policiais penais daquela unidade, incluindo Ailton, tenham recebido Menções de Destaques e Honrarias em 2023, em um ato realizado pela Câmara de Vereadores, um jornal investigativo não tem obrigação nenhuma de parabenizá-los pelos bons feitos. Entendemos o orgulho disso, mas são pagos para fazer o trabalho, e são pagos para fazer muito bem feito. Não distribuímos medalhas de honras. O que fazemos é investigar más condutas e expor o que se tenta esconder da sociedade à qual servimos.

Ao ser informado de que não tiraríamos o vídeo de circulação, Ailton tentou intimidar, afirmando que acionaria o jurídico. “Positivo. Agradeço a atenção. Da forma como foi noticiado, seu veículo colocou todos os PP de araguatins no mesmo saco. Com sua resposta, que agradeço, vou acionar nosso jurídico”, afirmou. Sim, é esse tipo de argumento que recebemos sempre que incomodamos. Relatamos ainda que trataremos o contato como intimidação e abuso de poder. Dessa forma, o Jornal Diário de Augustinópolis oferecerá denúncia ao Ministério Público do Tocantins (MPTO), e encaminharemos a denúncia à Corregedoria-Geral da Polícia Penal e do Sistema Socioeducativo.

“Nós repudiamos qualquer tipo de assédio jurídico ou político que atinja a comunidade jornalística do extremo norte do estado do Tocantins. Não permitiremos qualquer forma de abuso vindo de quem quer que seja, seja ele o funcionário pequeno ou os grandes. À luz da legislação brasileira, acreditando que as leis vigentes e as leis que garantem a liberdade de imprensa, ainda existem, pressupondo que as mesmas funcionem, não nos calaremos. Iremos lutar pelos direitos de informar, continuaremos fazendo o que nos foi confiado, fiscalizar o que estiver em desacordo com os princípios da vida pública desta comunidade, sobretudo contra a corrupção”. Mágson Alves, fundador do Diário.


